A presidente da Capes/MEC, Denise Pires de Carvalho, representou o Brasil no Fórum China/Celac, realizado em 14 de novembro de 2025, em Pequim, como parte da Conferência Mundial de Língua Chinesa. Em seu discurso, Denise abordou a educação superior e a inteligência artificial, destacando que o tema exige atualização constante de governos e professores, além de ações eficazes para preparar estudantes para os desafios da era digital.
“O mundo tem passado por transformações tecnológicas cada vez mais aceleradas, o que exige profundas adaptações comportamentais, mas também a reflexões sobre os possíveis efeitos deletérios para a espécie humana”, afirmou. A presidente da Capes ressaltou que, embora a inteligência artificial possa aumentar a produtividade e aprimorar processos de aprendizagem, seu uso indiscriminado precisa ser regulamentado com base em aspectos éticos e de integridade na produção intelectual.
Denise enfatizou que as metodologias de ensino-aprendizagem têm sofrido mudanças estruturais e que o letramento digital dos professores é cada vez mais necessário. “O advento das facilidades tecnológicas promoverá maior dificuldade de identificação de características profissionais diferenciadas; porém, os melhores profissionais no futuro serão aqueles capazes de formular as melhores perguntas. As respostas poderão ser encontradas pelas facilidades tecnológicas, mas a formulação de perguntas adequadas ainda é uma característica humana insubstituível”, destacou.
O Fórum China/Celac reuniu representantes da América Latina e do Caribe. Na abertura do evento, Denise também tratou do tema “Liderança em Inovação, Empoderamento Digital: Tornando a Língua Chinesa Acessível”, destacando a cooperação educacional entre Brasil e China. Segundo a dirigente, o país conta com 15 Institutos Confúcio e 50 instituições chinesas que ofereciam cursos de português para mais de 5 mil estudantes, enquanto cerca de 20 mil alunos brasileiros estudavam língua chinesa.
A presidente da Capes lembrou ainda do Memorando de Entendimento assinado em 2024, sobre mobilidade acadêmica na área de ensino de português como língua estrangeira, além do Programa Brasileiro de Intercâmbio de Estudantes, que oferece vagas gratuitas a estudantes estrangeiros para cursos de português e para graduação ou pós-graduação em universidades brasileiras.
Durante a missão, Denise se reuniu com o vice-ministro da Educação da China, Ren Youqun, e visitou instituições como o Centro de Educação e Cooperação Linguística (CLEC), a Fundação Internacional de Educação da China (CIEF), a Chinese Academy of Sciences (CAS) e a Beihang University. O objetivo foi fortalecer a cooperação na pós-graduação e na formação de professores, incluindo a assinatura de memorandos de entendimento, como o realizado pela Unesp e pelo Instituto Confúcio da UnB na Beihang University.
Atualmente, a cooperação Brasil-China envolve 26 universidades brasileiras, 75 instituições chinesas e mais de 80 convênios. Em junho de 2025, a Capes/MEC sediou o “Fórum de Reitores – Brasil China”, com a participação de 180 representantes de universidades de ambos os países. O Brasil considera a parceria acadêmico-científica estratégica para o avanço do conhecimento, inovação e acesso a tecnologias aplicadas a desafios locais e regionais, enquanto compartilha sua expertise em áreas como agricultura, biodiversidade, energias renováveis e ciências sociais.
Fonte: Gov.br